26 – 27 de nov. de 2026
Vitória
Fuso horário America/Sao_Paulo

Instagram como ferramenta de educação em saúde sobre sobrecarga de ferro: relato de experiência

Não agendado
20m
Espírito Santo (Vitória)

Espírito Santo

Vitória

Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras, Vitória - ES.
Comunicação Oral Saúde, Promoção da Qualidade de Vida e Desenvolvimento Comunitário

Palestrantes

Sr. Jeferson Horsth Sathler (Universidade Federal do Espírito Santo)Sr. João Felipe Mulinari Alves

Descrição

Resumo: A sobrecarga de ferro é uma condição clínica que demanda acompanhamento contínuo e compreensão, pelos pacientes, de suas causas, manifestações, complicações e tratamento. A partir das atividades do Núcleo de Pesquisas Translacionais sobre Sobrecarga de Ferro e Risco Cardiovascular, coordenado pelo professor Leonardo do Santos, em parceria com o Hemocentro do Espírito Santo (HEMOES) e a UNIFESP, identificou-se a necessidade de transpor o conhecimento produzido no ambiente científico para pacientes, familiares, profissionais de saúde e população em geral. Este trabalho objetiva relatar a experiência de utilização do Instagram como estratégia de educação em saúde e divulgação científica no projeto de extensão universitária “Sobrecarga de ferro e risco cardiovascular: o Instagram como estratégia de popularização da ciência”. Trata-se do relato de uma experiência iniciada em 2022 com a criação do perfil @sobrecargadeferro.ufes. As temáticas abordadas são definidas a partir de questões identificadas no contato com pacientes, dúvidas e interações dos seguidores e resultados das pesquisas desenvolvidas pelo grupo no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (PPGCF) da UFES. São publicados conteúdos sobre fisiopatologia, repercussões do excesso de ferro no organismo e aspectos do cotidiano relevantes às pessoas com essa condição, adaptando informações técnico-científicas para linguagem acessível e formatos próprios da comunicação digital. Nos últimos anos, as atividades têm sido conduzidas principalmente pelo doutorando Jeferson Sathler, em articulação com suas pesquisas com pacientes atendidos pelo HEMOES. Atualmente, o perfil reúne 474 seguidores e constitui espaço de divulgação e interação. A experiência possibilitou integrar demandas observadas no serviço, produção científica e educação em saúde, tendo como desafios a tradução do conhecimento sem perda de precisão e sua conciliação com as demais atividades da pós-graduação. A iniciativa evidencia o potencial das redes sociais para aproximar pesquisadores, serviços de saúde e comunidade e complementar as práticas presenciais de educação em saúde.

Palavras-chave: Comunicação em saúde; Educação em saúde; Mídias sociais; Sobrecarga de ferro.

INTRODUÇÃO
O ferro é um micronutriente essencial à manutenção da homeostase, participando de processos fundamentais, como o transporte de oxigênio, a produção de energia celular e diferentes reações enzimáticas (Santos et al., 2022) e sua disponibilidade no organismo é regulada, principalmente, por mecanismos relacionados à absorção intestinal. Entretanto, o organismo humano não dispõe de uma via fisiológica para a excreção do excesso de ferro, ocorrendo perdas apenas em pequenas quantidades por processos como descamação celular intestinal, por exemplo (Hsu et al., 2022). Assim, alterações nos mecanismos regulatórios ou o aporte recorrente de ferro, como a hemocromatose e transfusões sanguíneas recorrentes, podem favorecer seu acúmulo progressivo e ocasionar diferentes repercussões orgânicas, incluindo alterações cardiovasculares (Dos Santos et al., 2022;Correnti et al., 2024)
A diversidade dos mecanismos envolvidos na sobrecarga de ferro e de suas repercussões sobre a saúde motivou a consolidação do Núcleo de Pesquisas Translacionais sobre Sobrecarga de Ferro e Risco Cardiovascular, coordenado pelo professor Leonardo do Santos (PPGCF/UFES), em parceria com o Hemocentro do Espírito Santo (HEMOES) e a Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Inicialmente direcionadas à investigação experimental dos mecanismos fisiopatológicos relacionados as possíveis repercussões cardiovasculares, as atividades do grupo avançaram progressivamente para a pesquisa clínica, aproximando pesquisadores de pessoas com diferentes condições associadas à sobrecarga de ferro acompanhadas em serviço especializado.
Paralelamente, em 2022, foi criado o perfil @sobrecargadeferro.ufes no Instagram, posteriormente integrado ao projeto de extensão universitária “Sobrecarga de ferro e risco cardiovascular: o Instagram como estratégia de popularização da ciência”. A iniciativa busca estabelecer uma interface entre pesquisa, assistência e comunidade por meio da comunicação digital, abordando aspectos relacionados à fisiopatologia, às repercussões do excesso de ferro e a situações presentes no cotidiano das pessoas acometidas, com adaptação do conhecimento técnico-científico para uma linguagem acessível.

OBJETIVO
Este trabalho tem como objetivo relatar a utilização do Instagram como estratégia de educação em saúde e divulgação científica sobre sobrecarga de ferro, destacando sua contribuição para a aproximação entre pesquisadores, serviços de saúde e comunidade.

DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA
A experiência aqui relatada é desenvolvida por meio do perfil @sobrecargadeferro.ufes no Instagram, como estratégia de divulgação científica e educação em saúde vinculada às atividades do Núcleo de Pesquisas Translacionais sobre Sobrecarga de Ferro e Risco Cardiovascular a partir de janeiro de 2022 para aproximar a produção científica do grupo de pesquisa das necessidades de informação observadas no cotidiano de indivíduos com essa condição.
Participam da experiência pesquisadores e pós-graduandos vinculados ao Núcleo, com articulação com o HEMOES. Nos últimos anos, a condução das atividades do perfil tem ocorrido principalmente com a participação do doutorando Jeferson Sathler, cuja pesquisa envolve pessoas com sobrecarga de ferro atendidas no Hemocentro. Essa inserção simultânea na pesquisa clínica e na ação de extensão tornou-se um componente importante da experiência, pois permitiu que situações, dúvidas e necessidades percebidas no contato com os participantes das pesquisas também subsidiassem a definição de temas para a comunicação em saúde.
Ao longo do desenvolvimento da ação, a produção dos conteúdos passou a ocorrer em etapas inter-relacionadas. A primeira envolve a identificação das demandas de informação, provenientes das pesquisas realizadas pelo Núcleo das interações estabelecidas no próprio Instagram, por meio de comentários, mensagens diretas e caixas de perguntas. Pacientes, familiares, pessoas interessadas na temática e integrantes de outros grupos de pesquisa passaram, dessa maneira, a participar indiretamente da construção das pautas ao apresentarem dúvidas e questões relacionadas à condição e ao cotidiano das pessoas acometidas, como exemplificado pelas publicações “Vamos conversar sobre suplementos alimentares?”, “Pacientes com sobrecarga de ferro podem consumir álcool?” e “Respondendo algumas perguntas sobre sobrecarga de ferro e amamentação.”.
As informações técnico-científicas selecionadas são então traduzidas para linguagem acessível e adaptadas aos diferentes recursos de comunicação da plataforma, incluindo textos, imagens, vídeos e outros formatos audiovisuais. Os materiais produzidos passam por revisão técnica de pós-graduandos e pesquisadores vinculados ao Núcleo e pela apreciação do coordenador antes de sua publicação, buscando conciliar acessibilidade da linguagem e rigor científico. Esse processo está alinhado à proposta original do projeto, que prevê a produção de conteúdos fundamentados nas pesquisas do Núcleo e em outras evidências relacionadas à sobrecarga de ferro.
Dessa forma, a produção dos conteúdos passou a assumir caráter dinâmico: conhecimentos provenientes das pesquisas subsidiam as informações divulgadas, enquanto dúvidas e demandas apresentadas pelo público seja pelo contato direto durante a coleta de dados ou pela interação no perfil, contribuem para a definição de novos conteúdos. Porém, apesar do processo bem estabelecido de relação com a comunidade estabelecida no perfil, produção e avaliação das publicações não há na equipe nenhum membro com dedicação exclusiva a este projeto e por isso as publicações no perfil não apresentam um fluxo contínuo e entre novembro de 2025 e agosto de 2026, não houve nenhuma publicação no feed do perfil.

RESULTADOS E IMPACTOS
Desde sua criação, a iniciativa vem se constituindo como um espaço digital de divulgação científica e educação em saúde sobre sobrecarga de ferro, alcançando especialmente, mulheres (70,9%) com faixa etária entre 25 e 34 anos (36%) Atualmente, o perfil @sobrecargadeferro.ufes possui 474 seguidores e, apesar de ter público de outros estados, aproximadamente 74% dos seguidores é residente da Grande Vitória, segundo dados disponibilizados pelo próprio Instagram.
O contato com os seguidores do perfil ampliou a compreensão sobre as necessidades que permeiam o cotidiano dessas pessoas. Para além da investigação dos mecanismos e repercussões clínicas da sobrecarga de ferro, foi possível traduzir o conhecimento produzido no ambiente científico e torná-lo acessível aos pacientes, familiares, profissionais que os acompanham e à população em geral. As dúvidas e questões identificadas no contato com os pacientes passaram, assim, a constituir também oportunidades para ações de educação em saúde e divulgação científica, ações e necessidades essas que até então eram realizadas nos modelos tradicionais no ambulatório e ainda não havia migrado para o meio digital.
Essa dinâmica, entretanto, depende da disponibilidade dos pesquisadores e pós-graduandos e um dos desafios mais persistentes da experiência foi conciliar as atividades de extensão e divulgação científica com as demais demandas da pós-graduação. Embora as demandas de informação e as possibilidades de pautas sejam contínuas, a disponibilidade da equipe para transformá-las em materiais para o perfil varia de acordo com as demais atividades acadêmicas. Na prática, essa sobreposição de atividades repercutiu principalmente na regularidade e continuidade da produção de conteúdos.
Apesar disso, para os pós-graduandos envolvidos, a ação acrescentou uma dimensão formativa às atividades de pesquisa. A necessidade de explicar conceitos relacionados à sobrecarga de ferro para públicos não especializados favorece o exercício de habilidades de síntese, seleção de evidências e comunicação pública da ciência. Dessa maneira, a experiência de extensão não se restringiu à divulgação dos resultados produzidos pelo Núcleo, mas passou também a integrar a formação dos pesquisadores envolvidos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A experiência evidenciou o potencial das redes sociais como estratégia de divulgação científica e complementar em educação em saúde sobre sobrecarga de ferro, permitindo ampliar a circulação do conhecimento produzido no ambiente acadêmico e aproximá-lo das pessoas acometidas pela condição, familiares e demais interessados. A trajetória da iniciativa possibilitou articular pesquisa básica, pesquisa clínica e extensão universitária, estabelecendo uma interface entre universidade, serviço de saúde e comunidade. A iniciativa também reforçou a importância de conciliar rigor científico e linguagem acessível, apoiada na seleção de evidências e na revisão dos conteúdos antes de sua divulgação e evidenciou a necessidade do reconhecimento formal de ações extensionistas realizadas no âmbito da pós-graduação.

REFERÊNCIAS
Santos, L. dos; Bertoli, S. R.; Ávila, R. A.; Marques, V. B. Iron overload, oxidative stress and vascular dysfunction: evidences from clinical studies and animal models. Biochimica et Biophysica Acta (BBA) - General Subjects, v. 1866, n. 9, p. 130172, 2022. DOI: 10.1016/j.bbagen.2022.130172.
Hsu, C. C.; Senussi, N. H.; Fertrin, K. Y.; Kowdley, K. V. Iron overload disorders. Hepatology Communications, v. 6, n. 8, p. 1842-1854, 2022. DOI: 10.1002/hep4.2012.
Correnti M, Gammella E, Cairo G, Recalcati S. Iron Absorption: Molecular and Pathophysiological Aspects. Metabolites. 2024 Apr 17;14(4):228. doi: 10.3390/metabo14040228. PMID: 38668356; PMCID: PMC11052485.

Autor

Sr. Jeferson Horsth Sathler (Universidade Federal do Espírito Santo)

Co-autores

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