Palestrante
Descrição
Resumo: Esse trabalho focaliza a formação “Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA): Prática na escola”, que foi desenvolvido no âmbito do projeto de extensão, ramificado em dois momentos, apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), e pelo Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (PROEXT-PG/UFES/CAPES), entre 2024 e 2026, em parceria com os municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Itarana e Itaguaçu. Fundamentado nos princípios da pesquisa-ação, o projeto foi realizado por meio de encontros presenciais e online, envolvendo professores e demais servidores da educação. As discussões evidenciaram que a ausência de recursos acessíveis e de conhecimentos sobre seu uso constitui barreira à comunicação, à participação e à aprendizagem no contexto escolar. A formação possibilitou o compartilhamento de estratégias e recursos de CAA, como rotinas visuais, histórias sociais, pranchas de comunicação, cardápios acessíveis e materiais destinados às Atividades de Vida Diária, ampliando as possibilidades de práticas pedagógicas inclusivas. Os resultados apontam que a Formação Continuada Coletiva, contribuiu para o fortalecimento do protagonismo dos profissionais. Concluímos que a CAA, compreendida como direito e possibilidade de acessibilidade comunicacional, pode favorecer relações pedagógicas mais inclusivas e fortalecer uma escola comum, democrática e comprometida com a participação de todos.
Palavras-chave: Educação Especial; Formação Continuada Coletiva; Comunicação Aumentativa e Alternativa; Tecnologia Assistiva; Inclusão escolar.
INTRODUÇÃO
No Brasil, a Educação Especial é concebida como garantia de um direito constitucional estabelecido como modalidade transversal em todas as etapas e níveis de ensino aos estudantes com deficiência em um contexto escolar comum. Para tanto, é essencial reconhecer e valorizar a importância de uma educação que respeite as diferenças humanas frente às interfaces dos territórios e suas pluralidades. Diante dessa premissa, a partir do projeto de extensão, no contexto dos Programas de Pós-Graduação em Educação (PPGE), Pós-Graduação Profissional em Educação (PPGPE) e Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica (PPGEEB/CEUNES) da UFES, ramificado em dois momentos intitulados: A formação continuada coletiva na perspectiva da educação especial e inclusiva na microrregião Central Serrana do Espírito Santo, realizado no prazo de dois anos, de 2024 a 2026, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (FAPES), e A Formação Continuada Coletiva na Perspectiva da Educação Especial e Inclusiva em municípios capixabas, financiado pelo PROEXT-PG/UFES/CAPES, no prazo de um ano, de 2024 a 2025, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ensino na Educação Básica (PPGEEB/CEUNES/UFES), envolvendo os municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Itarana e Itaguaçu. Vale ressaltar que o projeto é vinculado à tese de doutorado desenvolvida no âmbito do PPGE/UFES, que tem orientação e coordenação da pesquisadora responsável pelo Grupo de Estudo e Pesquisa, Inclusão Escolar e Processos de Ensino e Aprendizagem (GEPIPEA/CNPq/UFES).
O projeto configurou-se em encontros formativos sobre a educação especial e inclusiva, na perspectiva de uma escola comum de, para e com todos, em que professores e demais servidores da educação, juntos em um mesmo espaço-tempo, independentemente do cargo ou função que exercem, realizaram as formações em formato presencial e online. Os encontros foram realizados em horário fora do turno de trabalho, no período noturno, e a participação ativa desses sujeitos ocorreu desde a escolha das temáticas abordadas nas formações.
Neste trabalho, focaliza-se a formação “Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA): Prática na escola” realizada pelo canal do GEPIPEA no Youtube, no mês de dezembro de 2025.
METODOLOGIA
Metodologicamente, a pesquisa-ação foi adotada pela sua abordagem de natureza colaborativa e participativa que articula investigação, intervenção e reflexão sobre o contexto escolar, movimentando a empiria na construção de conhecimentos entre pesquisadores e participantes em uma relação de coprodução efetiva no processo formativo (Thiollent, 2009).
O projeto iniciou-se em 2024 com reuniões de planejamento e alinhamento das pautas formativas entre universidade e redes municipais. A fim de compreender as demandas formativas, bem como traçar estratégias de organização logística para o maior alcance da adesão dos profissionais da educação dos municípios, gestores da Educação Especial e Inclusiva, secretários de educação, diretores, pedagogos, professores da UFES e o Grupo de Estudo e Pesquisa, Inclusão escolar e processo de Ensino e Aprendizagem (GEPIPEA), discutiram as possibilidades de ações concernentes a Formação Continuada Coletiva. O projeto foi desenvolvido na microrregião Central Serrana do Estado do Espírito Santo, composta pelos municípios de Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, Santa Teresa, Itarana e Itaguaçu, contando com a participação de professores regentes, professores de áreas específicas, professores especialistas em educação especial, diretores, pedagogos, coordenadores, supervisores escolares, inspetores escolares, auxiliares de educação especial, estagiários, bibliotecários, merendeiras, auxiliares de serviços gerais, motoristas, porteiros, secretários escolares, além de gestores e secretários de educação (Buss; Mafezoni, 2025, 2026). As escolhas das temáticas foram feitas pelos servidores da educação e registradas por meio do Google Forms. Foram realizadas 10 lives, pelo canal do Youtube do GEPIPEA, as quais todos os participantes dos municípios assistiram ao mesmo tempo, e 36 encontros presenciais.
DISCUSSÕES, RESULTADOS E IMPACTOS
A Formação Continuada Coletiva compreendeu a inclusão escolar como processo ético, político e pedagógico, sustentado pelo diálogo, pela escuta sensível e pela consideração das singularidades dos sujeitos. Desse modo, a Formação Continuada Coletiva perpassou o encontro dessa diversidade de sabe¬res e fazeres das realidades cotidianas. Discutir o direito dos estudantes, público da educação especial, fundamentado no estar, permanecer, participar e aprender em uma escola comum a todos, possibilitou que a inclusão escolar fosse desvelada à luz de uma amplitude, reconhecendo o ato consciente e responsá¬vel de todos aqueles que estão envolvidos neste processo (Buss; Caetano, 2026).
Na perspectiva bakhtiniana, a constituição dos sujeitos ocorre nas relações dialógicas com o outro em um espaço-tempo, nas quais diferentes experiências, valores e saberes participam da produção de sentidos (Bakhtin, 2010, 2011, 2014). Sob esse prisma, a formação online “Comunicação Au¬mentativa e Alternativa (CAA): Prática na escola” ocorrida em dezembro de 2025, ampliou as discussões e trocas entre diferentes servidores da escola, em busca do conhecimento por es¬tratégias concernentes à acessibilidade comunicacional, acolhimento e práticas inclusivas. Com 1.174 visualizações (Dados apurados em setembro de 2026), a formação abordou conceitos que dialogam entre a Educação Especial e a Tecnologia Assistiva (TA), além da comunicação como direito de todos.
Na tentativa de compreender os diferentes sujeitos, os participantes constataram que a ausência de recursos acessíveis comunicacionais e a falta de conhecimento no uso deles impedem que as relações sociais sejam construídas e efetivadas no ambiente da escola. Os participantes ainda reconheceram que pequenas ações na comunicação podem gerar transformações significativas em busca de uma escola democrática, inclusiva e emancipatória, conforme vemos na reflexão potente a seguir: “Tornar a comunicação acessível é construir pontes onde antes havia barreiras” (J.R.).
Foram apresentados recursos de baixa e alta tecnologia, como rotinas visuais, histórias sociais, pranchas de comunicação e materiais para Atividades de Vida Diária. Silva e Mafezoni (2026) evidenciam a importância de compreender tais recursos de acessibilidade comunicacional não apenas como ferramenta técnica, mas como elementos de inclusão efetiva e de fortalecimento das relações pedagógicas, onde todos os sujeitos possam ocupar o lugar de mediadores da comunica¬ção no processo de ensino e aprendizagem.
Os materiais apresentados favoreceram possibilidades para uma comunicação mais eficaz na comunidade escolar. Os servidores reconheceram a importância de a CAA ser usada para proporcionar meios e práticas pedagógicas inclusivas que garantam os direitos dos estudantes público da Educação Especial com Necessidades Complexas de Comunicação (NCC). Para além disso, afirmaram que o aprendizado coletivo fortalece o protagonismo dos profissionais da educação e o compromisso em construir uma escola para todos (Mafezoni, Medeiros, Ghibellini e Dessantis, 2025).
O impacto da formação refletiu-se numa mudança na compreensão da CAA de um recurso técnico para uma responsabilidade coletiva fortalecendo o comprometimento e cooperação no desenvolvimento de um ambiente acolhedor, ético e inclusivo. Dessa maneira, compreender a importância de se tornar parceiro de comunicação em uma escola que respeita as múltiplas formas de ser e habitar o mundo, é assumir a autoria nos atos responsivos que se constituem na concretude, onde “[...] Ser significa ser para o outro e, através dele, para si. O homem não tem um território interior soberano, está todo e sempre na fronteira, olhando para dentro de si ele olha o outro nos olhos ou com os olhos do outro” (Bakhtin, 2011, p.341).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As ações extensionistas experenciadas no percurso da Formação Continuada Coletiva evidenciam que a formação continuada coletiva pode produzir deslocamentos na compreensão da CAA, especialmente quando a comunicação é assumida como direito e responsabilidade compartilhada. Praticar o diálogo, a escuta sensível e fomentar coletivamente as propostas de uma inclusão escolar com todos os sujeitos envolvidos no processo, são algumas das ações que impactam na efetivação de uma educação humanizada valorizando a potencialidade de todos os estudantes.
REFERÊNCIAS
BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. Introdução e tradução de Paulo Bezerra. 6ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. 16ª ed. São Paulo: Hucitec, 2014.
BAKHTIN, Mikhail. Para uma filosofia do Ato Responsável. Tradução de Valdemir Miotello e Carlos Alberto Faraco. São Carlos, SP: Pedro e João Editores, 2010.
BUSS, Joziane Jaske; CAETANO, Andressa Mafezoni. O movimento da Formação Continuada Coletiva: Diálogo e reflexão no processo de construção de uma cultura inclusiva nas escolas pelos servidores da educação. In: BUSS, Joziane Jaske; CAETANO, Andressa Mafezoni (Orgs.). Extensão e Formação Continuada Coletiva de servidores da educação. Campos do Goytacazes, RJ: Encontrografia, 2026. p. 36-45.
MAFEZONI, Andressa Caetano; MEDEIROS. Ricardo Tavares de; GHIBELLINI, Valentina; DESSANTIS, Laura. Reflexões de um coletivo de professores de Educação Especial sobre as práticas pedagógicas. Visioni LatinoAmericane, v. 33, p. 122-145, 2025. Disponível em: https://www.openstarts.units.it/entities/publication/ee3b18b7-93b4-4573-a2c1-4c80d5a35876/details. Acesso em: 26 set. 2026.
SILVA, Alline Siqueira Freitas da; MAFEZONI, Andressa Caetano. A extensão na pós-graduação e a (in)existência do limiar entre ser formador e ser formando. Revista Guará, v. 20, p. 1-22, 2026. Disponível em: < https://periodicos.ufes.br/guara/pt_BR/article/view/52808>. Acesso em: 26 set. 2026.
THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 17. ed. São Paulo: Cortez, 2009.