26 – 27 de nov. de 2026
Vitória
Fuso horário America/Sao_Paulo

Qualidade do sono de pessoas estudantes universitárias da área da saúde com queixas de ansiedade participantes de pesquisa sobre auriculoterapia

Não agendado
20m
Espírito Santo (Vitória)

Espírito Santo

Vitória

Av. Fernando Ferrari, 514 - Goiabeiras, Vitória - ES.
Comunicação Oral Saúde, Promoção da Qualidade de Vida e Desenvolvimento Comunitário

Palestrantes

Srta. Luanna Melo Barbosa (LAPPICS/UFES)Prof. Grace Kelly Filgueiras Freitas (LAPPICS/UFES) Bárbara Juliana Pinheiro Borges (LAPPICS/UFES)

Descrição

Qualidade do sono de pessoas estudantes universitárias da área da saúde com queixas de ansiedade participantes de pesquisa sobre auriculoterapia
Luanna Melo Barbosa
Lívia Carla de Melo Rodrigues
Ana Cristina Nascimento Chiaradia
Daniela Amorim Melgaço Guimarães do Bem
Grace Kelly Filgueiras Freitas
Bárbara Juliana Pinheiro Borges
(LAPPICS/UFES, Vitória, Brasil)

Resumo: Estudantes da área da saúde passam por desafios durante a graduação, como pressão acadêmica e exaustão emocional. O bem-estar de uma pessoa não depende apenas do aspecto psicológico e emocional, mas também de condições fundamentais como saúde física, apoio social e estilo de vida. O objetivo primário do estudo foi conhecer o perfil de estudantes da área da saúde com sintomas de ansiedade e a qualidade do sono em um campus universitário participantes de pesquisa com auriculoterapia. A metodologia do estudo consistiu na coleta de dados de pessoas estudantes matriculadas nos cursos da área da saúde participantes de pesquisa com auriculoterapia para alívio de sintomas de ansiedade, mediante resposta de questionário semi-estruturado aplicado presencialmente. A presente pesquisa faz parte do projeto intitulado “Avaliação da Auriculoterapia Chinesa em universitários da área da saúde com queixas de ansiedade”, aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo, sob o número CAAE: 80864524.4.0000.5060 e Parecer número: 6.973.626, de 30/07/2024. Na vertente extensionista, a pesquisa se relaciona com o projeto “Práticas Integrativas e Complementares em Saúde”, cadastrado na PROEX/UFES sob o número 1386/2020. Identificou-se que sujeitos de pesquisa apresentaram um perfil sociodemográfico diversificado. O principal gênero que compôs a amostra foi o feminino, sendo 87,5%. O grupo amostral abrangeu indivíduos de diferentes faixas etárias, com a maioria dos alunos estando entre 18 a 24 anos, compondo 66,7% da amostra. Em relação à qualidade do sono, os escores totais médios do PSQI no tempo zero foram de 10,95 ± 2,91 no grupo intervenção e 9,75 ± 3,88 no grupo controle (sham), indicando comprometimento da qualidade do sono entre os participantes avaliados. Conhecer as características dos estudantes da área de saúde com ansiedade pode contribuir para qualificação dos atendimentos no projeto de extensão do grupo e com elementos norteadores para serviços de saúde e políticas públicas.

Palavras-chave: Ansiedade; Auriculoterapia; Práticas Integrativas e Complementares em Saúde; Estudantes.
INTRODUÇÃO
Atualmente, os transtornos de ansiedade e depressão continuam sendo os mais prevalentes no mundo, considerando a saúde mental. Em 2021, 359 milhões de pessoas viviam com algum transtorno de ansiedade, sendo que ocorrem diferenças segundo o sexo, com maior prevalência de transtornos de ansiedade e depressão entre as mulheres: 581,5 milhões de mulheres e 513,9 milhões de homens viviam com algum transtorno mental. A pandemia de COVID-19 agravou esse cenário, com estimativas de aumento de 29,8% nos casos de transtorno depressivo maior e 27,9% nos transtornos de ansiedade entre mulheres em 2020, e de 24,0% e 21,7%, entre os homens respectivamente (World Health Organization, 2025).
Embora o tratamento farmacológico com ansiolíticos e antidepressivos seja fundamental, sua eficácia é frequentemente limitada por fatores ambientais. Como intervenção não medicamentosa para auxiliar no tratamento complementar da ansiedade, tem-se a auriculoterapia, a qual pode ser realizada de forma não invasiva, com fácil aplicação e manutenção e não causa dependência. Há evidências que comprovam a eficácia das terapias integrativas e complementares em diversos âmbitos da saúde (Lopes-Junior et al., 2021). A auriculoterapia pode ser efetiva no manejo complementar de dores crônicas, contribuindo na redução de doses de medicamentos e melhoria na qualidade de vida, do sono e promovendo reabilitação para o desenvolvimento de atividades cotidianas (Morais et al., 2020).
O Laboratório de Pesquisa e Extensão em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (LAPPICS/UFES) tem por objetivo desenvolver pesquisa e extensão com práticas integrativas, oferecendo atendimentos de auriculoterapia para pessoas que possuem dores agudas e crônicas, e transtornos de ansiedade, já tendo identificado outros perfis (Remydio et al., 2025), sendo o objetivo geral do presente trabalho analisar o perfil de pessoas estudantes universitárias e a qualidade do sono, participantes da pesquisa intitulada “Avaliação da Auriculoterapia Chinesa em universitários da área da saúde com queixas de ansiedade”.
METODOLOGIA
A presente pesquisa fez parte do projeto intitulado “Avaliação da Auriculoterapia Chinesa em universitários da área da saúde com queixas de ansiedade”, aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo, sob o número CAAE: 80864524.4.0000.5060 e Parecer número: 6.973.626, de 30/07/2024. O estudo teve caráter transversal, analítico, quantitativo, de base populacional. A amostra foi composta por dados coletados dos estudantes da pesquisa citada acima, sendo o presente recorte, um estudo descritivo de perfil do tempo zero da pesquisa com relação à qualidade do sono. O recorte da amostra dos participantes deste estudo foram alunos de graduação ou pós-graduação da área da saúde matriculados na Universidade Federal do Espírito Santo, com sintomas auto relatados de ansiedade.
O material foi colhido durante a anamnese e intervenção dos estudantes e, em seguida, armazenado no banco de dados que ficou sob responsabilidade da Coordenação do projeto. As identidades foram preservadas. Foram investigados os perfis sociodemográficos dos estudantes e analisados os dados quantitativos do instrumento Índice de qualidade do sono de Pittsburgh (Bertolazi et al., 2011) expressos como frequências, média e desvio padrão.
A inteligência artificial Copilot Microsoft foi utilizada na elaboração deste resumo expandido para auxílio na formatação das referências bibliográficas conforme ABNT.
DISCUSSÕES, RESULTADOS E IMPACTOS
O grupo amostral foi composto por 41 indivíduos inicialmente, tendo 6 desistências, 23 participantes do grupo intervenção e 12 do grupo controle. O principal gênero que compôs a amostra foi o feminino, sendo 87,5%, enquanto o sexo masculino representou 10%, e outros compondo (2,5%) da amostra. O grupo amostral abrangeu indivíduos de diferentes faixas etárias, com a maioria das pessoas estudantes estando entre 18 a 24 anos (66,7%). A maioria reside na grande vitória atualmente e possui renda familiar mensal de 1 a 3 salários mínimos (41,46%). Apenas 23 alunos afirmaram possuir diagnóstico de ansiedade, sendo que 17 estavam recebendo tratamento farmacológico. Por terem ação no sistema nervoso central diretamente através dos neurotransmissores, os medicamentos antidepressivos e ansiolíticos trazem resultados tranquilizantes e amenizantes. São fármacos tidos como confiáveis, no entanto, em alta quantidade e sem supervisão, essas substâncias podem causar dependência e riscos à saúde (Neri; Teston; Araújo, 2020). Compreende-se que é importante e necessário o uso de outras técnicas e abordagens terapêuticas contribuindo com o tratamento, com destaque às práticas integrativas e complementares em saúde, que é um termo utilizado pelo Ministério da Saúde para se referir à medicina complementar através de suas importantes finalidades no Brasil (Andrade; Costa, 2010). Em relação à qualidade do sono, no tempo zero (T0), observou-se escore total médio do PSQI de 10,95 ± 2,91 no grupo intervenção e de 9,75 ± 3,88 no grupo controle (sham). Esses resultados evidenciam comprometimento da qualidade do sono entre os estudantes avaliados, reforçando a relevância de investigar alterações do sono em universitários com queixas de ansiedade.
Tabela 1: Pontuações dos indivíduos de pesquisa no instrumento Índice de qualidade do sono de Pittsburgh (PSQI)

Grupo intervenção
Grupo controle (sham)
Componente PSQI
Tempo Zero (T0) (Média ± DP)
Tempo Zero(T0)(Média ± DP)
C1: Qualidade Subjetiva do Sono
1,84 ± 0,76
1,75± 0,71
C2: Latência do Sono
1,89 ± 0,94
1,38±1,19
C3: Duração do Sono
1,79 ± 0,85
1,50 ± 0,93
C4: Eficiência Habitual do Sono
1,16 ± 1,46
0,88 ± 0,99
C5: Distúrbios do Sono
1,79 ± 0,54
1,75 ± 0,71
C6: Uso de Medicamentos para Dormir
0,79 ±1,27
1,25 ± 1,39
C7: Disfunção Diurna
1,68 ± 1,16
1,25± 1,04
Escore total
10,95 ± 2,91
9,75± 3,88

Fonte: Elaboração própria a partir de dados da pesquisa.
Considerando os resultados descritivos, é preciso lembrar que grande parte dos graduandos possuem uma rede de apoio limitada e não conseguem manter recursos emocionais para lidar com o gerenciamento de um novo espaço social, estando mais suscetíveis ao transtorno de ansiedade (Karaca et al., 2019; Abu Ruz et al., 2018). Expostos a esse tipo de estresse e de forma contínua, observa-se que estudantes estarão sujeitos a um maior impacto negativo na aprendizagem e no seu desempenho acadêmico, obtenção de empregos, qualidade e quantidade do sono e saúde mental e até mesmo suscetível ao uso de substâncias (Pascoe et al., 2020), como se pode ver e se seguirá na continuidade da pesquisa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreender aspectos sócio-demográficos epidemiológicos de participantes pode contribuir para a qualificação dos atendimentos no projeto de extensão do grupo. Observou-se ainda a presença de diagnóstico de ansiedade e uso de tratamento farmacológico em parte da amostra, além de indícios de comprometimento da qualidade do sono entre os participantes avaliados.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, J.T.; COSTA, L. F. A. Medicina Complementar no SUS: práticas integrativas sob a luz da Antropologia médica. Saúde Soc., v. 19, n. 3, p. 497-508, 2010.
BERTOLAZI, Alessandra Naimaier et al. Validation of the Brazilian Portuguese version of the Pittsburgh Sleep Quality Index. Sleep Medicine, Amsterdam, v. 12, n. 1, p. 70-75, 2011. DOI: 10.1016/j.sleep.2010.04.020.
LOPES-JÚNIOR, Luís Carlos et al. Effectiveness of complementary therapies for the management of symptom clusters in palliative care in pediatric oncology: a systematic review. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v. 55, e03709, 2021. DOI: 10.1590/S1980-220X2020025103709.
MICROSOFT. Copilot. Disponível em: https://copilot.microsoft.com. Acesso em: 21 set. 2026.
MORAIS, Bruna Xavier et al. Auriculotherapy and reducing chronic musculoskeletal pain: integrative review. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, DF, v. 73, supl. 6, e20190394, 2020. DOI: 10.1590/0034-7167-2019-0394.
NERI, J. V. D.; TESTON, A. P. M.; ARAÚJO, D. C. de M. Uso de ansiolíticos e antidepressivos por acadêmicos da área da saúde: uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 10, p.75673–75686, 2020. DOI: 10.34117/bjdv6n10-118.
REMYDIO, Bruno Perovano et al. Perfil dos usuários atendidos no Laboratório de Pesquisa e Extensão em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (LAPPICS). Revista Guará, Vitória, v. 13, n. 19, 2025. DOI: https://doi.org/10.30712/44419.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. World mental health today: latest data. Geneva: World Health Organization, 2025. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/382343/9789240113817-eng.pdf. Acesso em: 29 set. 2026.

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